domingo, 9 de outubro de 2011

I Canto


Porque nunca pedi asas
A natureza arrancou-me as pernas.
Os meus sonhos: Nada.
O vazio que me resta.

Na terra, a realidade arraigada.

Porque nunca pedi pernas
A dor me deu asas.
O vazio: Resta.
Os meus sonhos que me nada.

domingo, 22 de maio de 2011

O PIRATA SEM CORAÇÃO

E essa solidão que me mata,
Me revira ao revés.
O mar, a calmaria,
Tudo vejo do convés.
Levanto a vela e não venta.
O sal nos olhos. O rum.
Navegar meu barco tenta
E não vai a lugar algum.
Saqueador fui por cem anos.
Pensei ser eu o ladrão.
Hoje, digo que me engano.
- Onde está meu coração?
Ele está bem enterrado
Na ilha da Espera Eterna;
A dez pés da rocha Uivante;
A cem palmos debaixo da terra.
No baú, a maldição
para quem ele abrir:
“Depois de muito o coração amar,
Você terá que partir”.
E o pirata sem coração navega,
Dia e noite, sem descansar.
A solidão como companheira,
E como casa, o mar.
Vou de chuvas a tormentas,
De calmaria a insolação.
Não abandono este barco
Até encontrar meu coração.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quando o Vento Sopra


Morto, aquele aflito coração, já estava. O corpo era apenas a parte densa; a carcaça negra e lúgubre que, na terra, Deus, sabiamente, costuma deixar, a fim de aliviar a angústia dos que temem diante deste abismo gigante que é a morte.
Encontrá-la viva, a partir de agora, somente nos poemas, por ela, escrito. Seu sangue, desde então, será a frígida tinta espessa. Seu rumo estará em cada linha posta e lida. Sua dor será cada pausa; sua angústia, cada vírgula. E em meio este turbilhão de confusas palavra, seu amor é cada rima.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CUIDE BEM DO SEU CORAÇÃO


Cuide bem de seu lago, com tudo que nele existe.
(....)
E quem sabe, quando crescer,
encontre uma linda moça
Que terá como coração, sementes.

Tendo cuidado bem do seu lago,
Regará, com a límpida água,
Todas as sementes que ela oferece.

Tua água cuidará das sementes,
E quando tiverem filhos, um dia,
Cada um terá como coração, uma planta.

O mais forte, um pé de bambu;
A menina, um campo de lírios;
E o terceiro, quem sabe um poeta,
terá como coração uma enorme árvore,
Onde pássaros farão os seus ninhos.

Então cuide bem de seu coração.
Do seu lago. Pois ele guiará teu caminho,
Desde já, todos dependem dele,
Seja a semente, o bambu, os lírios, a grande árvore e até os passarinhos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

FRANCO BRASIL


Degolaram Matise.
Mataram De Gaulle.
Envenenaram Voltaire.

Viveu Victor Hugo
Que mudou de profissão
E foi vender bolsas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DO AUTOR:


Aqui vai um conselho aos que me lêem: Não confiem em nada que eu diga ou fale. As palavras, embora extensões do meu ser-uno, são meras limitações do meu espírito. Escrevendo, me subordino a elas. Doces verbetes que oferecem a ilusão. A sensação de liberdade! Falsa liberdade! Palavras apenas rotulam e separam uma coisa de outra. Palavras desconhecem que a totalidade é indivisível! Quem nunca teve aquela sensação inexplicável, para além de qualquer verbo, de qualquer oração ou onomatopéia, e por querer transbordá-la ao mundo acaba por cair na subjetividade escrita?

Se quiserem algo para ler que realmente lhes toque com profundidade, leiam o meu silêncio. O silêncio do meu corpo. O silêncio da minha mente. Em silêncio experimento a liberdade e o desapego de todas as aflições. Todos podem lê-lo a qualquer momento! O meu silêncio é o seu silêncio e a minha paz é sua paz! O silêncio é o mesmo para todos. Sem discriminação. Quando quiserem ler-me, fiquem em silêncio e apenas respirem e por vezes, sorriam. Encontrarão-me no silêncio, dentro de vocês!

Se posso dar um conselho aos que me lêem: Duvidem de minhas palavras! Mas duvidar do meu silêncio é questionar suas próprias certezas.

Bom...Aconselho que também o façam!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pequeno Pássaro, Passarinho...


Doce pássaro que em minhas velhas raízes encontro.
Perdido e desolado lhe tomo em meu tronco
Como a mãe terra lhe tomaria no colo.
Frágeis asas, frágil seu canto;
doce pássaro que treme neste início de Outono.

Agora, aquecido, voe, passarinho!
Voe pra onde é verão!
Em meus galhos farei um ninho,
para quando voltar, então.

Pequeno passaro, passarinho,
quão doce é sua canção.
Volte para ensonar os estribilhos
às cordas tão nervosas deste descompassado coração.

Pequeno pássaro, passarinho,
de tão longe veio vindo,
e sem eu ter percebido,
fiz seu ninho em meu coração!