sábado, 20 de março de 2010

A Criança e o Pote de Biscoitos


A mesma sensação que uma criança tem quando sobe na cadeira para pegar o pote de biscoito no alto da prateleira e, por não alcançar, fica na ponta dos pés e estica todas as costelas e separa todas as vértebras de sua coluna que, alinham-se do cóccix até à ponta do maior dedo de sua pequena mão. A criança, naquele momento, é o melhor de si. Sua atenção é o pote de biscoitos! Sua mente é o pote de biscoitos! Queria ela ser o pote de biscoitos! E se por ventura, se por um acaso do destino, ela caísse do banco de costas no chão, lhe seria revelado um grande aprendizado: A Lei da Gravidade. E por frustração iria chorar.

Por mais que eu caia da cadeira, seja quantas vezes for, descubro-me enorme, pois, ao contrário de chorar, deitado no chão, posso ver quão grande, e lindo, e infinito é o céu. E tocando-o com minha mente, posso eu ser toda sua grandeza, ser toda sua beleza, toda sua infinitude!

Devíamos aprender a olhar mais para o céu!

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Ébrio


Hoje,
vi uvas, lá fora, no jardim.
Enquanto vinho,
A uva passa.
Tinto! Tinto!
Na adega.

terça-feira, 2 de março de 2010

Vivendo e Aprendendo


A árvore, que muito se contorcia
Tentando fugir do vento e da chuva,
Um dia descobriu o céu!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pausa para o Café



Na água quente
O calor que precisa.
No pó da semente
O odor que anestesia.
No mexer da colher
O conflito que tardia.
No fundo da xícara
A secura do dia.
No fim do café
A amargura da vida.
No nó da garganta
A sede infinita.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Panta Rei


Deixar ir embora para seguir em frente
No caminho da perfeição e do amor.
A flor, um dia se torna lixo.
O lixo, um dia se torna flor.

Aquele que Caiu


Na guerra,
deitado ao chão
já sem pernas,
descobre o soldado o seu dom de ir além
e, junto de si,
levar aqueles que se julgaram incapazes de sonhar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Menino e o Rio


Quando molhei meus pés no rio
Eu era apenas o menino,
E o rio era apenas o rio.

Quando a luz do Sol
Iluminou as águas,
Pude ver meus pés no fundo,
E deixei de ser menino
E o rio deixou de ser rio.

Quando a luz da lua
Tocou o não-rio
Pude ver algo mais profundo:
Eu era o rio,
E o rio era eu-menino.

Quando a luz da consciência
Tocou o rio,
Pude ver toda clareza do mundo.
Eu era e não era,
E o mesmo ocorria com o rio.

Éramos juntos, algo, além disto.