sábado, 12 de maio de 2012

A Muda

A muda cresce
Na calada.
Calada ou
Muda.
A vida inteira
Ou cala.

sábado, 31 de março de 2012

Paris

Paris
Notre-Dame de l'amour.
Paris
Ta lumière me conduit.

Nuit
oubliée dans la rue.
Chanson
perdue dans la nuit.

C'est juste une autre chanson,
oublié dans le noir.
Oh, Paris!

(Tradução)
Paris
Nossa Senhora do amor.
Paris
Sua luz me conduz.

Noite
esquecida na rua.
Canção
perdido durante a noite.

É apenas uma outra canção,
Perdida no escuro.
Oh, Paris!

sexta-feira, 9 de março de 2012

CARTA DE UM CONDENADO


Em alguma ilha distante, 09 de Agosto de 1762



Daqui à uma hora, o Sol despontará no horizonte, saindo de dentro do imenso mar que posso, com dificuldade, contemplar através da pequena janela de minha cela. Na verdade a palavra janela é um tanto otimista para designar o pequeno buraco com grossas grades enferrujadas pelo qual a luz do amanhecer entrará. Daqui à uma hora... Um guarda virá. Quem sabe dois? Seria eu merecedor de dois guardas para me tirarem dessas correntes pesadas?  Fardo que carreguei por vinte anos. Isso! Há vinte anos preso, torturado, estuprado por todas as atitudes e palavras mais violentas que um homem pode suportar, condenado à forca. À morte. E depois da condenação, jogado nesta cela como um brinquedo que uma criança abandona e nunca mais lembra que o teve. Porque como vocês sabem, criança tem a memória muito curta. Os adultos também.

Porém, nesta noite, minha última noite como um condenado, avistei a estrela da manhã e ela brilhava mais do que nunca, com toda sua magnitude e beleza. Fitei-a profundamente, e foi quando em um grande fulgor ela me revelou seu grande segredo.

Tolos os que me acorrentam nesta cela. Condenaram-me a algo ao qual já nasci condenado! Nascer é estar condenado à morte! E se sofri, se chorei, se sangrei até meus órgãos se cansarem de lutar e desistirem, foi pela fantasia de que esse sistema que me encadeou tinha o controle sobre a minha vida! Padeci por ilusão!

Então, me liberto! Quebro aqui, o meu ciclo de vida e morte! Esta é a minha carta de alforria! Assinada por mim!

Quando o capataz puxar a alavanca, apenas um corpo se moverá à lei da gravidade. Vai-se apenas uma parte de mim. Estarei vivo nesta carta. Em cada letra, em cada palavra, em cada oração! Oração. E agora que você, por um acaso do destino encontrou-a e leu-a, torno-me vivo dentro de ti! No coração do estágio mais profundo do teu ser. Te liberto! E sempre quando, uma hora antes do Sol iniciar a aurora, você avistar a estrela da manhã, juntos seremos um só! Eu, você, e a estrela! Felizes, em paz e em liberdade!

Obrigado minha outra metade,
                                                                                                           Thomas Harrison

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Espera


Um passo a mais
E tudo acaba.
Um beijo a mais
Foi tudo que esperei.
Tudo se faria em poucas palavras.
Escaparam-me
E tudo se fez.
Um passo a mais
é pouco.
Deito na escuridão.
A angústia cada vez mais.
O sono cada vez menos.
Rolo de um lado ao outro.
No travesseiro o cheiro...
... E o silêncio...
Um dia a mais
Esperei por palavras,
Em vão por isso sonhei.
Um beijo a mais esperava...
... E esperei...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Meia-noite


E a mãe grita – Vá deitar, menino! Já é tarde! –
Nada é tão tarde quanto meia-noite.
A meia lua, no meio do céu, faz-me mergulhar
Em meio as minhas indagações.
Entro no desconhecido para salvar a alma dos mortos.
Mordo a maçã do pecado e eis que alcanço o que queria.
Descubro que a maçã é fruto da grande Árvore da Vida.
A víbora escamada é só lenda dos tempos da Carochinha.
A raiz, lá no fundo, por um monstro é roída.
Ragnarok irá chegar quando a raiz for partida.
Deve haver um meio de esquecer os infortúnios da vida.
Nada é tão tarde quanto meia-noite!
Meia-noite e um. Já é início de um novo dia.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Lugar Algum

No canto da sala a mala,
a casa,
a vida.
Salada de informação.
Canção do novo mundo.
No canto da sala. Na mala.
Meu canto é meu pranto.
A sala na casa. A vida na mala.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Insight


No momento em que, a criação se tranmuta em luz do Sol invadindo minhas retinas fatigadas,

Meu corpo a concebe sob a vistoria da consciência.

Mas quando a inspiração se desenrrola do fiar silencioso e profundo da infinita escuridão da noite,

Minha carcaça material se move ao comando de meu espírito ignoto.